O ensino-aprendizagem em atividade artesanal: o ofício da ourivesaria

Ingrid Lilian Fuhr, Elizabeth Tunes, Felipe Ferreira

Resumo


O presente artigo é fruto de uma pesquisa que visou estudar modos de ensino-aprendizagem não escolarizados, em atividade artesanal, mais especificamente a atividade do ourives, que existe há mais de 5.000 anos. O processo de ensino-aprendizagem se dá com a participação ativa do mestre na instrução. Os mestres são como guardiões da tradição de um ofício, responsáveis pela transmissão de geração em geração dos conhecimentos concretos e práticos da ourivesaria. O ofício por não ser escolarizado, a relação estabelecida entre o aprender e o ensinar na ourivesaria se dá sob outra lógica, ela não segue formalidades, regras e pré-requisitos instituídos previamente como acontece em instituições escolares. O foco do processo ensino-aprendizagem está no aprendiz em atividade. A aquisição de conhecimento é por meio da prática, em que o pensar e o fazer não estão desvinculados. Para conhecer a atividade da ourivesaria, foram entrevistados três mestres ourives de Brasília/DF. Foram dez dias de convivência nas respectivas oficinas, acompanhando e observando o trabalho diário com os aprendizes.  Por meio da convivência com os mestres ourives e seus aprendizes, foi possível constatar a atitude de abertura ao diálogo, de respeito ao tempo de aprendizagem individual, em que as características pessoais são levadas em consideração durante todo processo de ensino aprendizagem. Um dos pontos destacado nas falas dos ourives é que o aprendiz necessita estar genuinamente interessado pelo ofício para aprendê-lo. A sabedoria é utilizar a razão para orientar a ação, promovendo a autonomia e a ação criativa. 


Palavras-chave


Ensino-aprendizagem; Atividade artesã; Ourivesaria; Autonomia; Ação criativa

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